adicionar aos favoritos | Franca/SP

26/09/2009 09:39
Para isso fomos feitos
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos
Por isso temos braços longos para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra
Assim será nossa vida.
Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treve
Um caminho entre dois túmulos
Por isso precisamos velar
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio
Não há muito para dizer.
Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez de amor
Uma prece por quem se vai
Mas que essa hora não esqueça
E por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.
Pois para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte,
De repente nunca mais esperaremos
Hoje a noite é jovem, da morte, apena
Nascemos imensamente!